terça-feira, 6 de agosto de 2013

Carta de amor à família que eu escolhi

Tenho uma irmã. Tenho quatro irmãos. A primeira é filha dos meus pais. Os outros quatro foram as minhas escolhas. Na primeira não tive voto na matéria. Os meus pais chamaram a cegonha e veio aquela coisa. Nos outros, fui eu quem decidi. Eu e as circunstâncias. E se há coisa da qual sinto orgulho é das minhas escolhas. Há muitas pessoas na minha vida. Muitas mesmo. Há pessoas que já ocuparam lugares importantes e, entretanto, por acasos da vida, deixaram esses mesmos lugares. Há outras que só por cá andam a passear. E há outras que ocupam lugares importantes. Neste momento, há quatro pessoas dessas. São quatro pessoas muito diferentes umas das outras; muito diferentes de mim. Mas, há algo que nos liga e é essa ligação que é tão especial. Não andamos atrás uns dos outros para nos tornarmos amigos. Não obrigamos as pessoas a darem-se connosco. As coisas foram acontecendo naturalmente, fomo-nos conhecendo e fomos criando uma ligação. E é a essa ligação que eu dou tanto valor. Temos a necessidade de falar uns com os outros, de contar o que se passou, de estar em contacto. E a união vai aparecendo e crescendo. E nós também. No espaço de um mês muita coisa nas nossas vidas mudou. E nós mudamos também. E a nossa amizade mudou também. Fortaleceu-se. Fizemos coisas que nunca pensamos que faríamos. Vimos coisas que nunca pensamos que veríamos. Descobrimos coisas que secalhar não queríamos ter descoberto. E continuamos aqui, uns para os outros. E isso só acontece nas famílias e, por vezes, nem aí. Mas, nós gostamos muito uns dos outros e damos muito valor a isto que temos, e é esse o segredo. Estas quatro pessoas não são perfeitas. Longe disso. Temos os cinco muitos defeitos, mas também já aprendemos a lidar com isso e não nos importamos. Basta-nos a companhia uns dos outros. Uma garrafinha de qualquer coisa também ajuda. Um rádio também ajuda. Um tecto também não é mal pensado. Mas há falta disto vamos para a rua, cantamos, fazemos asneiras, pousamos o pézinho na areia, que é sempre o nosso destino, e faz-se a festa. Ou então não. Sentamo-nos num banco e pomo-nos a conversar sobre a vida que também serve. Não importa desde que estejamos os cinco. E são estas as pessoas que, neste momento, me fazem feliz. São estas as pessoas com quem eu gosto de estar. São estas as pessoas com quem eu quero crescer. São estas as pessoas que eu quero gostar sempre. Porque são a minha família e juntos, somos todos muito mais felizes. 

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