terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Intimidade

Para sermos intímos de alguém é preciso confiarmos muito nessa pessoa. É preciso sermos capazes de lhe entregarmos tudo e termos a certeza que vai ser devolvido da mesma forma. E há poucas pessoas que me são intímas. Os meus pais e a minha irmã são-no, porque sim. Porque conhecem-me desde sempre e, porque são a minha família. Porém, se falarmos em intimidade num grau decrescente, em segundo lugar não aparecem nem os meus avós, nem tios, nem outro tipo de familiar. Pode ser um bocado exagerado, mas, a seguir aos meus pais e à minha irmã, as pessoas com quem sou mais intíma é, sem dúvida alguma, com os meus melhores amigos. Pode ser um bocado exagerado, mas é verdade. E não é intimidade de nos vermos nus, nem andarmos aos beijos, nem de sermos uns porcos. Não tem nada a ver com isso. Tem a ver com o facto de passarmos noites juntos e de vermos as caras de sono uns dos outros. Tem a ver com o facto de ouvirmos o ressonar uns dos outros durante a noite. Tem a ver com o facto de segurarmos na cabeça uns dos outros para vomitar. Tem a ver com o facto de me acordarem, porque vêm para cá a horas madrugadoras. Tem a ver com o facto de ficar sozinho em minha casa, enquanto vou à casa ao lado. Tem a ver com o facto de saberem exactamente como tratar da comida aqui na cozinha. Tem a ver com o facto de sabermos como gostamos das coisas. Tem a ver com o facto de sabermos os traços de personalidade uns dos outros e de já estarmos a prever o que vão responder a uma mensagem. Tem a ver com o facto de privarmos muito uns com os outros. Tem a ver com o facto de confiarmos uns nos outros o suficiente, para deixarmos que entrem na nossa bolha pessoal.

F.R.I.E.N.D.S

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