segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Private Post #36 (o único a ser publicado)

Lembro-me perfeitamente: era uma quinta-feira, a primeira desde que tinha começado o ano lectivo, e nessa manhã íamos estar juntos, pois era das poucas alturas em que o nosso horário era compatível... Fui com a minha mãe e, apesar  de não me lembrar de que horas eram, sei que era cedo quando nos encontramos. Tivemos algum tempo juntos, no sítio em que tínhamos começado a namorar, e lembro-me que tinha levado a minha mochila, pois queria mostrar-lhe as minhas coisas. Passava pouco das 11h30 quando me disse que tinha de ir embora. Disse que tinha a avó à espera para almoçar e, apesar de achar muito cedo e de ser uma justificação estranha, lá aceitei. Mas havia algo que não batia certo. Dei-lhe um abraço muito forte, quase a chorar (raios lá para a nossa intuição), e demos um beijo. Afastamo-nos e ainda trocamos algumas mensagens durante a manhã, mensagens essas também muito estranhas.
Não me lembro do que se passou no dia seguinte, lembro-me apenas de ter dito à minha pessoa que havia algo que não estava bem entre nós e que, muito provavelmente, não iríamos durar muito mais. Ela achou muito estranho, porque nos conhecia bem a nós e ao nosso namoro. 
Nessa noite, acho que chegamos a falar sobre a nossa situação e ele concordou que algo estava diferente, o que nos levou a combinarmos um encontro no dia seguinte. "Gosto muito de ti" era o que dizia a última mensagem dele e, nessa altura, percebi que se não terminássemos tudo no dia a seguir, seria por um milagre qualquer. Adormeci a chorar, cheia de medo que aquilo que eu achava que ia acontecer, acontecesse mesmo, e quando acordei já tinha uma mensagem de bom dia dele. Fiquei na esperança que durante a noite tudo tivesse passado, mas essa esperança despareceu quando me disse que não tinha dormido nada bem por nossa causa. 
Mandei-lhe logo mensagem a dizer que íamos mesmo acabar e perguntei-lhe se depois de estar com ele podia ir ter com ela. O maior dos meus azares: nesse dia não ia estar em casa. A manhã foi passando; uma tortura autêntica. Fui almoçar fora e nem consegui comer nada em condições. À hora combinada pedi que me levassem àquele sítio e quando lá cheguei ele já lá estava. Não sei quanto tempo lá estivemos. Não me lembro a que horas cheguei e nem tão pouco me lembro como começamos a conversa. Lembro-me que não nos cumprimentamos quando o encontrei. Lembro-me que estivemos maior parte do tempo em silêncio. Lembro-me que foi completamente suplicante. Fiz-lhe algumas perguntas. Ele respondeu. Andei às voltas para tentar controlar o choro. Não deitei uma única lágrima. Ele respondeu à grande pergunta e ali se pôs fim à nossa relação. Ele acompanhou-me a casa e quando chegamos dei-lhe uma última oportunidade. Nada feito! Tinha acabado mesmo. Entrei em casa e não estava ninguém. Mal me vi sozinha desatei a chorar. Doía-me o corpo todo e acho que ao mesmo tempo que não sentia nada, sentia tudo. Liguei-lhe e não me atendeu. Tinha ficado sem bateria e passado algum tempo ligou-me de outro telemóvel. Expliquei-lhe e lá me tentou acalmar. Tarefa impossível há que dizer. Falei com as pessoas que me eram mais próximas numa tentativa de abrandar aquilo tudo e passava pouco das quatro da tarde quando recebi a mensagem que me fez aproximar daquela que é hoje uma das minhas pessoas. Ajudou-me tanto!!!!
Quando ela já estava disponível estivemos a falar, tentou acalmar-me e juntamente com duas pessoas incríveis (uma delas era aquela que ainda não era uma das minhas pessoas), obrigou-me a sair de casa. Acho que se ficasse enfiada no quarto ia precisar de calmantes. Foi uma saída realmente marcante e acho que na altura não lhes agradeci o suficiente.
Hoje só posso dizer que esse dia foi o mais duro, triste e comprido que já tive na vida.
E o mais irónico disto tudo foi termos posto fim a tudo naquele sítio. O sítio para onde íamos tantas vezes, onde tantas vezes namoramos, onde passamos tanto tempo. Aquele sítio, juntamente com um outro (onde começamos a namorar) eram só nossos. Eram os "nossos sítios". É irónico, sem dúvida.

3 comentários:

Ace disse...

Que tenhas ultrapassado a dor. Talvez não tenha sido o vosso tempo e talvez outro tempo esteja reservado para vocês. <3

Rita Maria disse...

mais posts destes, por favor!
gosto! gosto!

Maria In Paradise disse...

A vida é irónica, tem a mania que mete piada. Mas não mete. Nem solta risos. Lembra-te desse sítio devido aos bons momentos, ao sítio onde algo especial começou. Se é para lembrar e doer, que seja de tanto ter sorrido e sido feliz lá; não interessa se foi ai que algo mais se passou. Há que selecionar bem o que queremos guardar para sempre tanto na memória como no coração, e porque não os bons momentos? Valem bem mais que os maus. beijoca*